Terça-feira, 28 de Março de 2006

"Des papillotes" para Jérusalem

 

Já na fase do indispensável "Summer Berry" da Tetley </a>, que veio coroar um belo jantar de "Papillotes" grelhados de Alho francês e queijo da ilha, aproveito para rever o documentário que está a passar agora mesmo na RTP 2: sobre o conflito israelito-palestiniano.

Lembrei-me deste livro que comprei na última festa do Avante.

Kenizé Mourad, jornalista especializada no Médio Oriente decidiu compilar uma série de testemunhos de ambos os lados do conflito. Israelitas e Palestinianos opinaram.

 Já com o livro nas mãos, recordei dois trechos que tinha sublinhado.

Diz Ram Loewy, cineasta israelita autor do documentário que a 2: está hoje a passar, reportando-se à sociedade israelita:

"Se a  nossa sociedade é forte, é igualmente muito frágil: por causa do traumatismo do Holocausto temos um medo irracional dos nossos vizinhos e, em vez de negociarmos, barricamo-nos."

Diz ainda:

"Quando se olha para o outro não reconhecendo nele um ser humano, tem-se o direito de fazer seja o que for".

(pág- 138,139 edições ASA).

 

O conflito inicia-se em 1917, quando Lord Balfour, ministro britânico dos negócios estrangeiros anuncia que o seu governo «vê com agrado o estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o povo Judaico».

Não pretendo ser nem a favor de uns, nem contra outros. Pretendo simplesmente sublinhar que a Europa, não satisfeita com a bela merda que tinha já feito com a divisão de África a régua e esquadro e que levou anos mais tarde a conflitos deveras produtivos para todos excepto para os povos africanos, pôs uma vez mais o bedelho num país independente com leis próprias.

Em 1920 iniciam-se os primeiros motins em Jerusalém contra a imigração judaica. 

Pergunto-me se alguma vez nos iremos recompor da febre colonialista que nos está nos genes.

De onde vem esta verdade absoluta que é a nossa e que queremos sempre impor aos outros, os que têm outras verdades absolutas?

Impusemos (nós Europa), ao longo dos séculos, a nossa religião, formas de trabalho, formas de vestir, politicas, pensamentos e divisões aleatórias de territórios, de maneira a que o velho continente ficasse sempre, senão a ganhar, sem perder.

Quando os Estados Unidos se tornaram numa potência e decidiram fazer o mesmo já não achamos tanta piada, criticámos os "gringos" porque de repente valores humanos se levantaram. Fizemos (Europa) bem pior ao longo dos anos dourados em que eramos uma potência  que qualquer presidente Bush elevado ao expoente máximo da mentira e sadismo que o caracterizam como homem de estado.

Enfim, estou resmungona deve ser do sono...

 

De resto, os repatriados do Canadá continuam a chegar a Lisboa.

Engraçado, porque será que aqueles amores da extrema direita portuguesa que fizeram aquela manifestação há uns meses atrás contra os emigrantes africanos, indianos, e de leste que se encontram em Portugal, não se manifestaram agora em apoio a essa grande nação canadiana agora que os emigrantes portugueses estão a ser expulsos?

Pois é... Quem tem telhados de vidro (que é como quem diz emigras espalhados pelo mundo inteiro) não deveria atirar pedras aos telhados do vizinho. Fodido. Azar.

 

De resto, só me ocorre mesmo dizer que todos os canteiros que o meu cão "visita" nas suas passeatas diárias estão em flor. Isto deve querer dizer alguma coisa com certeza. Só não sei é o quê. Lá chegarei com a devida reflexão.

 

Amanhã, mais uma visita forçada à capital.

Numa semana que pode muito bem tornar-se numa das mais gloriosas e empolgantes da minha vida desde que despachei o "palerma" e decidi fazer uso "do Direito a devolver à precedência cônjuges dispensáveis" , vou mas é dar descanso à pele, besuntar-me de desmaquilhante, creme de noite e desfalecer nos lençóis para um merecido e reparador sono de beleza.

 

Over and out.

 

  

publicado por postitlilas às 23:00
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2 comentários:
De CM a 29 de Março de 2006 às 09:00
"Quando se olha para o outro não reconhecendo nele um ser humano, tem-se o direito de fazer seja o que for".

Como o Hitler, não é mesmo?? Infelizmente, a apetência de fazer aos outros o mesmo que te fizeram a ti está mais presente na natureza humana do que a capacidade de perdoar, ou reconciliar-se. Nós somos uns animais muito básicos. Tudo se resume à perservação de um espaço e de recursos. A única diferença em relação aos primatas, é que, na nossa fobia de racionalizar caímos totalmente no ridículo: vê-se pela defesa americana dos "direitos humanos" no Iraque.....
Gosto muito do blogue. Benvinda! Sempre se poupam uns tostões em mouleskines (vai por mim...).
De busy a 31 de Março de 2006 às 00:22
Gosto sempre de saber que há israelitas que compreendem o lado palestiniano (e vice-versa). Isso e o resultado das eleições em Israel, dão alguma esperança para a resolução do conflito...

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